sábado, 15 de novembro de 2008

Latin Grammy no Brasil: desorganização.

Latin Grammy no Brasil, um mico só

Boas apresentações ao vivo não conseguiram salvar festa que ocorreu pela 1.ª vez simultaneamente em São Paulo e Houston

Livia Deodato

Não fossem os micos, a noite não seria tão divertida. A 9ª edição do Grammy Latino, que contou com uma festa em São Paulo paralela à entrega em Houston na quinta-feira, alardeada como a primeira autorizada fora dos Estados Unidos, teve confusão generalizada na troca de convites por ingressos no hall do Auditório Ibirapuera, candidatos anônimos concorrendo - e ganhando! - prêmios daqui, uniforme para apresentadoras e artistas latinas e brasileiras, e até troca de envelopes de premiados, o que levou ao anúncio errôneo do vencedor.

Talvez pelo fato de os troféus não serem entregues na festa brasileira (serão posteriormente enviados pela Academia Latina de Artes e Ciências de Gravação para a residência de cada premiado), os artistas brasileiros resolveram não aparecer por lá - à exceção, é claro, daqueles convidados para se apresentar na festa, como Chitãozinho & Xororó ao lado de Renato Borghetti, únicos a levantarem a platéia no vibrato da clássica Brincar de Ser Feliz.

Com um "participe e sorria: você é parte importante desta gravação" em off, teve, então, início à premiação de brincadeirinha comandada por Daniella Cicarelli e Marcelo Tas. A Band, que investiu cerca de US$ 1 milhão, foi a emissora responsável pela organização e transmissão nacional e exclusiva do prêmio. Os Meninos do Morumbi abriram a noite com o guitarrista Andreas Kisser, compondo uma trilha especial para as acrobacias da companhia de dança de Deborah Colker. A festa, que começara bem animada, não demorou nem cinco minutos para dar o primeiro escorregão de uma série. Nelson Sargento e Marcelo D2, após entoarem ironicamente a canção Samba Agoniza Mas Não Morre numa mixagem do samba com o rap, anunciaram Beth Carvalho como vencedora do melhor álbum de samba/pagode (Canta o Samba da Bahia - Ao Vivo). Mas na legenda transmitida para todo o País apareceu o nome de Paulinho da Viola e seu Acústico MTV.

Dada a desorganização na troca dos convites de papel pelos ingressos, o que fez com que muitas pessoas desistissem de entrar e dessem meia-volta no tapete vermelho, algumas poltronas do gargarejo permaneceram vazias nos primeiros quadros. No segundo intervalo, um desesperado integrante da equipe da Band gritou para sua colega: "Vai lá atrás, rápido, e busca algumas meninas. Bonitas, por favor." Não deu tempo e o número de cadeiras vazias só foi aumentando com o passar da hora. "Por favor, permaneçam sentados. Entraremos ao vivo dentro de alguns instantes", pedia, clemente, um produtor em off.

Enquanto isso, Daniella Cicarelli, Marina de la Riva e Daniela Mercury aqui, e Gloria Estefan e as apresentadoras latinas de lá, subiam ao palco desfilando um uniforme-base: vestidos curtos ou longos, mas todos cheios, muito cheios de babados.

As divertidas irmãs Galvão subiram ao palco para anunciar o ganhador do prêmio para álbum de música tradicional regional ou de raízes brasileiras. Abriram o envelope com certo custo ("enfia logo o dedo aí!", disse uma delas) e revelaram em alto e bom som: "Seu Jorge!" A platéia aplaudiu, sem se dar conta de que Seu Jorge não estava concorrendo naquela categoria, e sim na de música popular brasileira, que ainda estava por vir. "Ih, acho que deram o papel errado pra gente..." O ponto as salvou e elas corrigiram rapidamente o nome do vencedor para o pai e o tio de Sandy e Júnior.

A grande surpresa, no entanto, ficou por conta do primeiro lugar na categoria canção brasileira. Disputando com Acode, de Vanessa da Mata e Sergio Mendes, e Delírio dos Mortais, de Djavan, entre outros, a considerada "melhor" canção brasileira foi Som da Chuva, dos quase famosos Marco Moraes & Soraya Moraes. Aplausos esparsos e constrangidos.

O que chamou bastante a atenção também foi a mudança repentina do nome do Auditório Ibirapuera para Auditório TIM, que saía da boca de todos os portadores do microfone. Mário Cohen, presidente do Instituto Auditório Ibirapuera, que é gerido em parceria com a Prefeitura e mantido pela operadora TIM, desconversou. Disse que houve um engano por parte da organização da Band. "Vamos ter de conversar com eles depois. O nome do auditório não vai mudar. A TIM é somente a mantenedora."

A festa terminou com homenagem Carmen Miranda, cujo centenário de nascimento se dá em 9 de fevereiro de 2009. E com um "Viva Obama!", de Daniela Mercury.

A Band trouxe o Grammy Latino para o Brasil este ano. Pela primeira vez, a cerimônia de premiação foi comemorada em outro lugar além de Houston, no Texas, ainda que a premiação principal também estivesse acontecendo lá. O desafio agora é realmente realizar uma festa da magnitude de sua irmã americana, já que premiação brasileira não refletiu, nem de perto, as características da 'sede'.

A versão paulistana da premiação reuniu nesta quinta artistas e convidados no Auditório do Ibirapuera. Se a princípio o local parecesse pequeno para abrigar premiação deste porte, no fim acabou revelando-se grande demais: no penúltimo bloco, boa parte dos convidados já tinha ido embora, o que obrigou a produção a pedir que as pessoas se sentassem mais para baixo no auditório para mascarar os buracos na platéia.

Em Houston, a festa parecia boa. A repórter Patrícia Maldonado, que acompanhou a premiação no Texas, foi chamada em todos os blocos e mostrava imagem de um auditório dançante, empolgado e de uma cerimônia de grandes proporções.

Na apresentação, Cicarelli não foi mal, mas foram a desenvoltura e o talento de Marcelo Tas que salvaram boa parte do fraco roteiro. Os poucos trechos bem humorados (mas nem tanto) do texto ficaram por conta dos repórteres do programa CQC, que num momento fingiram 'seqüestrar' Daniela Cicarelli para que ela lhes desse um Grammy.

Aliás, falando em Grammy, a premiação não premiava: os ganhadores dos prêmios não subiam ao palco para receber o gramofone, típico troféu da cerimônia, com a promessa de que os receberiam em suas casas. Os vencedores, como os roqueiros do CPM22 - cujo "Cidade Cinza" ganhou o prêmio de Melhor álbum de rock brasileiro - e a sambista Beth Carvalho, que fez o Melhor álbum de samba/pagode, estavam na premiação, mas comemoraram na cadeira. Não teve nem abraço nos apresentadores do prêmio.

Apesar dos bons shows de Marcelo D2 e Nelson Sargento, Pitty e Edgard Scandurra, além do show de encerramento, com Sandy e Paula Toller interpretando Carmen Miranda e em seguida Daniela Mercury e os Mutantes com O que é que a baiana tem?, o ponto alto - musical - da noite foi mesmo quando Chitãozinho & Chororó cantaram Brincar de Ser Feliz, canção entoada com vigor pelos convidados da platéia, que nesse momento ainda não tinham fugido das cadeiras. Os mesmos Chitãozinho & Chororó comemoraram visivelmente emocionados o prêmio de Melhor álbum de música tradicional regional ou de raízes brasileiras, com o disco "Grandes clássicos Sertanejos Acústico I".

Claro que não era possível esperar uma réplica fidedigna da grande premiação americana na primeira versão fora do país, mas do ponto de vista de atração que visa prover entretenimento a quem assiste, essa 9ª edição falhou miseravelmente. Infelizmente, foi uma festa fraca, morna. Nem o Sepultura cantando bossa nova e em seguida emendando heavy metal foi capaz de surpreender.

Alagoas em Tempo Real

Latin Grammy: Band esclarece erro no anúncio de vencedor

Em comunicado à imprensa, a Band esclareceu o erro ao anunciar, na cerimônia do Latin Grammy que a emissora realizou em São Paulo, num evento simultâneo à premiação em Houston, o vencedor na categoria melhor álbum de samba/pagode. Na última quinta-feira, durante a transmissão da premiação, ao contrário do que foi anunciado, a categoria foi vencida por Paulinho da Viola e Maria Rita (houve empate) e não por Beth Carvalho. Os apresentadores da festa brasileira foram Daniella Cicarelli e Marcelo Tas.

Veja o comunicado na íntegra:

"Durante toda a noite, os envelopes lacrados com o nome dos vencedores em cada categoria foram mantidos sob custódia e responsabilidade de um representante do Latin Grammy presente ao Auditório TIM, que na hora da entrega trocou equivocadamente os envelopes.

O presidente da Academia, Gabriel Abaroa, pede desculpas pelo equivoco: “Estamos conscientes que existiram erros humanos, mas também sabemos que o povo brasileiro compreende que todo projeto em construção tem dificuldades”.

Confira os vencedores brasileiros ao Grammy Latino

De A Tribuna On-lineNa entrega do Grammy Latino fora dos Estados Unidos, dedicado às nove categorias brasileiras, na noite desta quinta-feira, não houve grandes premiados, mas uma surpresa. Na categoria de melhor canção, pela primeira vez foi incluída uma canção gospel, "Som da chuva", de Soraya Moraes, que ganhou.

Soraya também levou de melhor disco gospel de língua portuguesa, incluída nas categorias gerais do Grammy Latino, apesar de se tratar de prêmio para o Brasil.

Além dela, dois indicados nas categorias gerais venceram: os engenheiros Moogie Canazio e Luiz Tornaghi como melhor engenharia de som pelo álbum "Dentro do mar tem rio", de Maria Bethânia. E o duo Sérgio e Odair Assad pela melhor composição clássico contemporânea "Tahhiyya Li Ossoulina".

Carmem Miranda

No final, houve uma homenagem a Carmen Miranda que completa 100 anos de nascimento em 2009. Paula Toller e Sandy cantaram "E o mundo não se acabou". Para fechar a noite, Daniela Mercury e os Mutantes em "O que é que a baiana tem" que, de tabela, também louva o mestre Dorival Caymmi, autor da canção, recém partido. As informações são do Globo Online.


Confira os ganhadores:

Melhor Álbum Pop Contemporâneo
"Sim", de Vanessa Da Mata

Melhor Álbum de Rock
"Cidade cinza", de CPM 22

Melhor Álbum de Samba/ Pagode
"Canta o samba da Bahia ao vivo", de Beth Carvalho

Melhor Canção
"Som da chuva", de Marco Moraes e Soraya Moraes

Melhor Álbum de Música Popular
"América Brasil - O disco", de Seu Jorge

Melhor Álbum de Música Romântica
"Com você", de César Menotti & Fabiano

Melhor álbum de Música Contemporânea Regional ou de Raízes
"Qual assunto que mais lhe interessa?", Elba Ramalho

Melhor Álbum de Música Tradicional Regional ou de Raízes
"Grandes clássicos sertanejos - Acústico I", de Chitãozinho e Xororó

A Tribuna

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