TRAGÉDIA EM SANTA CATARINA

Quatro mil deslizamentos, mais de cem mortos. Nossos repórteres foram até Santa Catarina registrar uma das maiores tragédias do país. A dor das pessoas que perderam a casa e a família. As missões de risco dos voluntários e das equipes de resgate. Cenas chocantes, como a invasão de um supermercado inundado e os rebanhos mortos nas fazendas cobertas de água.
Não perca! Nesta terça-feira, depois de “Toma lá, dá cá”.
Depoimento dos repórteres que participaram do programa.
”Uma cidade embaixo d’água”

Pela janela do avião já dava para ver a cidade alagada. Casas com somente o telhado à vista. Lá de cima ainda não imaginava o que poderíamos encontrar em terra. Na verdade em lama e água.Ainda na aeronave ouvimos: “Meu Deus, olha a minha casa! Olha a minha rua! Está totalmente embaixo d’água!”. Era o Renê, que, a trabalho, não via sua família há um mês. O começo da nossa matéria estava ali, na poltrona ao lado. Eu e meu amigo e parceiro de trabalho Mikael Fox ficamos três dias no município do Vale do Itajaí, a cidade mais alagada da região. O que vimos: sofrimento, desespero, violência, loucura. Era o caos. Conversando com o Caco, ele me disse: “Thais, isso aqui é como cobrir uma guerra”. A diferença é que aqui a destruição foi causada pela natureza. E é nessa hora que percebemos o quanto somos insignificantes diante sua força. Algumas vezes tive vontade de largar o microfone e ajudar aquelas pessoas fragilizadas, que perderam tudo. Só que eu estava lá para ouvir. Ouvir as histórias das vítimas. Ouvir desabafos de sofrimento. Ouvir dor. Ouvir esperança. Apesar de toda a destruição, muitos estavam gratos por não terem perdido a vida ou a vida de seus familiares. O que nos impressionou foi o saque no supermercado. Eu não acreditava no que estava vendo. Era o limite do desespero. Pessoas carregando tudo o que podiam. Carregavam produtos na cabeça, nos braços, nos carrinhos, nos cavalos, em caminhonetes. Entravam na água suja e podre para catar comida ou qualquer outra coisa que pudessem salvar. Ali eu não agüentei. Durante minutos tentei segurar o choro, mas o que via era mais forte do que tudo. Imaginei o que eu faria se tivesse na situação deles. Não quis julgar nada nem ninguém. Em muitos momentos encontramos solidariedade. Voluntários de todas as idades reforçavam o trabalho dos bombeiros, da polícia, do exército, da defesa civil. A ajuda era constante. Pessoas que, em mutirão, trabalhavam para reorganizar suas vidas. Independentemente de todo caos, o recomeço era preciso. Deixamos a cidade com uma dor muito forte no peito. Não consigo parar de pensar em tudo o que vi e em tudo o que fiquei sabendo. Só desejo uma coisa com essa reportagem: mostrar o quanto o povo de Santa Catarina é forte, embora neste momento precise muito do nosso apoio. *Thais Itaqui
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